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sábado, 30 de janeiro de 2016

Por que o mosquito Aedes aegypti transmite tantas doenças?

Resistente e adaptável, espécie está no centro da atual epidemia de zika, além de ser vetor de contágio da dengue, das febres chikungunya e amarela e outras enfermidades mais raras.


(Foto: Sanofi Pasteur/Divulgação)

No mundo, ele é chamado de mosquito da febre amarela. No Brasil, é conhecido como mosquito da dengue – e, mais recentemente, também da zika e da chikungunya.

Considerado uma das espécies de mosquito mais difundidas no planeta pela Agência Europeia para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), o Aedes aegypti – nome que significa "odioso do Egito" – é combatido no país desde o início do século passado.

A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar anualmente em evidência. Isso ocorre principalmente com a chegada do verão, quando a maior intensidade de chuvas favorece sua reprodução.

Agora, um novo sinal de alerta vem da epidemia de zika, uma doença com sintomas semelhantes aos da dengue, em curso desde o meio do ano.

Foi confirmado pelo governo federal que o zika vírus está ligado a uma má-formação no cérebro de bebês, a microcefalia, que já teve neste ano ao menos 1.248 casos registrados em 311 municípios em 14 Estados, a maioria deles no Nordeste.

O Aedes aegypti também esteve no centro de um surto de febre chikungunya ocorrido no país no ano passado, quando este vírus chegou ao Brasil e se espalhou com a ajuda do mosquito.

E, apesar de a febre amarela ter sido considerada erradicada de áreas urbanas brasileiras em 1942, casos de contaminação foram confirmados em cidades de Goiás e no Amapá em 2014.

"O Aedes aegypti está ligado ainda a males mais raros, do grupo flavivírus", afirma Felipe Pizza, infectologista do hospital Albert Einstein.

"Entre os agentes de contaminação, esse mosquito é o que tem a capacidade de transmitir a maior variedade de doenças."

Eficiência

Alguns fatores contribuem para tornar o Aedes aegypti um agente tão eficiente para a transmissão desses vírus. Entre eles estão, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, sua capacidade de se adaptar e sua proximidade do homem.
Surgido na África em locais silvestres, o mosquito chegou às Américas em navios ainda na época da colonização. Ao longo dos anos, encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação.
"Ele se especializou em dividir o espaço com o homem", afirma Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador da Fiocruz Minas.
"O mosquito prefere água limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus ovos se desenvolvem."
Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti se reproduza. Estudos científicos já mostraram que, nesse caso, a fêmea pode depositar seus ovos em água com maior presença de matéria orgânica.
Os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente – num período de sete dias, em média.
"Outros vetores não têm essa capacidade de resistir ao ambiente", afirma Pizza, do Albert Einstein. "Por isso ele está presente quase no mundo todo, a não ser em lugares onde é muito frio."

Flexibilidade

Um aspecto que também favorece a reprodução é o fato de a fêmea colocar em média cem ovos de cada vez, mas não fazer isso em um único local. Em vez disso, ela os distribui por diferentes pontos.
"Quando tentamos exterminá-lo, é muito grande a chance de um destes locais passar despercebido", diz Carvalho.
Também se trata de um mosquito flexível em seus hábitos de alimentação.
O Aedes aegypti é, geralmente, diurno: prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia.
 
"Mas ele é oportunista. Se não tiver conseguido se alimentar de dia, vai picar de noite. Isso não ocorre com o pernilongo, por exemplo, que é noturno e só vai estar quando o sol começa a se pôr", afirma a bióloga Denise Valle, pesquisadora do laboratório de biologia molecular de flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
Além disso, o mosquito costuma ter como alvos mamíferos, especialmente humanos. Como explica o agência europeia, mesmo na presença de outros animais ele "se alimenta preferencialmente de pessoas".

Simbiose

Por ser um mosquito urbano que fica em contato constante com o homem, ser muito adaptável e ter um apetite especial por sangue humano, o inseto se tornou um eficiente vetor para a transmissão de doenças.
"Todo ser vivo busca uma forma de se proliferar, e com os vírus não é diferente. Nestes casos, eles podem ser transmitidos por outros vetores, mas que não são tão efetivos", afirma Erico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. "Eles (vírus) conseguiram no Aedes aegypti e na forma como este mosquito evoluiu uma relação de simbiose muito boa."
Para ser capaz de infectar uma pessoa, o vírus precisa estar presente na saliva do inseto.
Valle, do IOC/FioCruz, explica que, no caso da dengue, por exemplo, após o Aedes aegypti picar alguém que esteja infectado, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva.
"São poucos os mosquitos que vivem mais de dez dias. Mas, quanto menos energia ele precisa gastar para se alimentar e colocar ovos, mais tempo ele vive", diz Valle.
"Assim, o aglomerado urbano, com muitos locais de criadouro e muitos alvos para picar, faz com que o mosquito viva mais, favorecendo o processo de infecção."
A bióloga destaca ainda que se trata de um mosquito especialmente arisco: "Quando vai picar, se a pessoa se mexe, ele tenta escapar e picar outra pessoa. Se estiver infectado com algum vírus, vai transmiti-lo para várias pessoas".

Controle

Exterminá-lo também é difícil. Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, o Aedes aegypti é "muito resistente", o que faz com que "sua população volte ao seu estado original rapidamente após intervenções naturais ou humanas".
No Brasil, ele chegou a ser erradicado duas vezes no século passado. Na década de 1950, o epidemiologista brasileiro Oswaldo Cruz comandou uma campanha intensa contra ele no combate à febre amarela. Em 1958, a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre do Aedes aegypti.
Mas, como o mesmo não havia ocorrido em países vizinhos, o mosquito voltou a ser detectado no fim dos anos 1960. Foi erradicado novamente em 1973 – e retornou mais uma vez três anos mais tarde. "Hoje não falamos mais em erradicação. Sabemos que isso não é possível", diz Valle, do IOC/Fiocruz.
"O país é muito grande e tem muitas entradas para o mosquito. Também há muito mais gente vivendo em cidades, e a circulação de pessoas pelo mundo com a globalização aumentou muito. Os recursos humanos e financeiros para exterminá-lo seriam enormes."

Uma forma comum de combater o mosquito, a de dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como "fumacê" –, não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado embaixo da asa. Portanto, o inseto precisa estar voando, algo difícil tratando-se de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso.
"Na maior parte das vezes, isso é jogar dinheiro fora e gera mosquitos mais resistentes. Hoje, levamos de 20 a 30 anos para desenvolver um inseticida e, em dois anos, ele perde sua eficácia por causa do uso abusivo", afirma Valle. "E os químicos usados no controle de larvas não estão disponíveis para a população."
Carvalho, da Fiocruz Minas, ressalta ainda que 80% dos criadouros são encontrados em residências, e que realizar a prevenção e exterminar focos do Aedes aegypti não é fácil.
"Quando temos uma epidemia, é mais simples conseguir o apoio da população, mas, fora deste período, é mais complexo sensibilizar as pessoas para a questão", afirma o entomologista. "Por tudo isso, acho muito complicado falar em erradicação. Talvez a melhor palavra seja controle."

Uma abordagem nova vem sendo testada na Bahia e em São Paulo. Machos transgênicos do Aedes aegypti são liberados na natureza e, no cruzamento com fêmeas comuns, geram larvas que morrem antes de atingir a fase adulta, o que, com o tempo, reduz a população do mosquito numa determinada área.

Responsável por testes realizados desde maio em Piracicaba, no interior paulista, a empresa Oxitec informou que os resultados estão sendo analisados por sua equipe técnica e que ainda não há uma previsão de quando serão divulgados.

Fonte: BBC Brasil

sábado, 5 de setembro de 2015

Insetos no cinema!


Pertencentes ao filo Arthropoda e a classe Insecta, os insetos são os seres vivos mais abundantes do planeta. Isso se deve a diversos fatores, por exemplo, corpo pequeno e capacidade de voar. Mas, quem pensa que eles são responsáveis apenas para polinização ou até mesmo para causar danos nas lavouras e na saúde humana estão enganados. Esses artrópodes também são fonte de inspiração para o mundo cinematográfico. Confira abaixo cinco filmes onde os insetos são os protagonistas. 

1- Homem-Formiga

Sinopse*
Dr. Hank Pym (Michael Douglas), o inventor da fórmula/ traje que permite o encolhimento, anos depois da descoberta, precisa impedir que seu ex-pupilo Darren Cross (Corey Stoll), consiga replicar o feito e vender a tecnologia para uma organização do mal. Depois de sair da cadeia, o trambiqueiro Scott Lang (Paul Rudd) está disposto a reconquistar o respeito da ex-mulher, Maggie (Judy Greer) e, principalmente, da filha. Com dificuldades de arrumar um emprego honesto, ele aceita praticar um último golpe. O que ele não sabia era que tudo não passava de um plano do Dr. Pym que, depois de anos observando o hábil ladrão, o escolhe para vestir o traje do Homem-Formiga.

2- Minúsculos

Sinopse*
Em uma pacífica clareira, entre as sobras de um piquenique, começa uma batalha entre duas tribos de formigas em busca de uma caixa de açúcar. Uma jovem e corajosa joaninha acaba sendo capturada no meio do fogo cruzado e torna-se aliada das formigas negras, ajudando na luta contra as terríveis formigas vermelhas.

3- Vida de Inseto

Sinopse*
Todo ano, os gananciosos gafanhotos exigem uma parte da colheita das formigas. Mas quando algo dá errado e a colheita destruída, os gafanhotos ameaçam atacar e as formigas são forçadas a pedir ajuda a outros insetos para enfrentá-los numa batalha.

4- Lucas, um Intruso no Formigueiro
Sinopse*
Lucas Nickle (Zach Tyler) é um garotinho de dez anos que acaba de se mudar para uma nova vizinhança. Sem amigos e com uma família ausente, ele é constantemente atacado por uma gangue local. Certo dia, ele joga toda sua raiva para fora e afoga um formigueiro com sua pistola d'água. O menino tem seu tamanho misteriosamente diminuído, até ficar da mesma altura que uma formiga. Ele é então obrigado a trabalhar como escravo na reconstrução do formigueiro que ele mesmo destruiu.

5- Bee Movie - A História de uma Abelha
Sinopse*
Barry B. Benson (Jerry Seinfeld) formou-se recentemente e sonha com um emprego na Honex, onde poderá produzir mel. Desta forma ele se aventura fora da colméia, onde descobre um mundo até então inteiramente desconhecido. É quando conhece Vanessa Bloome (Renée Zellweger), uma alegre florista de Manhattan com quem quebra as regras das abelhas e passa a conversar regularmente. Logo eles se tornam amigos, o que faz com que Barry conheça melhor os humanos. Porém Barry descobre que qualquer pessoa pode comprar mel nos supermercados, o que o deixa profundamente irritado por considerar que estão roubando a produção das abelhas. É quando ele decide processar os humanos, na intenção de corrigir esta injustiça.


Uma boa dica para o feriadão!


*Todas as sinopses foram retiradas do site Adoro Cinema.





sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pesquisadores criam tela eletrostática contra mosquitos

Nova tela se mostrou eficaz em 100% dos casos

Um novo método de aplicar inseticida a telas se mostrou 100% eficaz no combate a alguns tipos de mosquito, de acordo com um estudo internacional.


Um cobertura eletrostática permite que a tela carregue doses maiores de inseticida do que as que são normalmente.

Em testes, a cobertura matou muito mais mosquitos que telas convencionais.

Em artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, pesquisadores holandeses dizem que isso pode ajudar no controle de doenças como a malária.

A resistência de mosquitos a inseticidas é um problema em locais onde a malária é endêmica.

Acredita-se que sprays inseticidas com base em água e mosquiteiros, que às vezes levam baixos níveis de inseticida, nem sempre matam os mosquitos, permitindo que desenvolvam resistência.

No estudo, os cientistas usaram uma tela carregada, originalmente desenvolvida para capturar pólen no ar, e aplicaram inseticida a ela.

A carga eletrostática duradoura permitiu que altos níveis de inseticida aderissem às telas rapidamente, dando aos mosquitos uma overdose letal quando estes entravam em contato com a superfície - mesmo que por apenas alguns segundos.


A técnica foi testada em diferentes tipos de mosquitos na África do Sul, Tanzânia e no laboratório da Liverpool School of Tropical Medicine.
Os pesquisadores descobriram que a cobertura eletrostática de inseticida mata mais mosquitos que outras telas e, para alguns mosquitos resistentes a inseticidas, foi 100% eficaz.
Telas comuns matam menos de 10% dos mosquitos, de acordo com o estudo.
Marit Farenhorst, da Universidade Wageningen, na Holanda, que liderou a pesquisa, disse que a cobertura poderia ser usada em telas em janelas e portas pela casa, em cortinas e paredes, e ainda em armadilhas para mosquitos e canos de ventilação.
"É uma nova forma de tentar pegar e contaminar mosquitos", disse ela.
Ela também disse que o novo método seria adequado para diferentes tipos de inseticidas químicos.
Mas ela disse que a cobertura provavelmente não seria tão eficiente em mosquiteiros de camas porque as pessoas tocam neles ou lavam o tecido com frequência, então o inseticida sairia com o tempo.
Fonte: BBC

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Borboletas conseguem lembrar do que aprenderam quando eram lagartas

Elas passam por uma metamorfose dramática - mas ainda assim lembram dos conhecimentos adquiridos

(FOTO: DEAN MORLEY / FLICKR / CREATIVE COMMONS)

Aposto que, quando você aprendeu sobre a metamorfose de uma lagarta até o estágio de borboleta, ficou surpreso. Afinal o animal basicamente ganha um corpo novo. E, de forma surpreendente, cientistas da Universidade de Georgetown descobriram que os animais lembram de coisas que aprenderam em seu primeiro estágio de desenvolvimento.

Para testar a hipótese, os pesquisadores treinaram lagartas para evitar certos tipos de cheiro (associando os odores com choques). Depois eles verificaram que, no estágio adulto, as borboletas ainda evitavam os cheiros que foram associados com choque - mesmo que o conhecimento não tenha sido reforçado na fase adulta.

Apesar de isso indicar que as lembranças permanecem, os pesquisadores ainda não sabem qual é a estrutura responsável por armazenar essas informações. 

Mas qual é a importância de saber que as borboletas lembram de acontecimentos do estágio larval? Basicamente porque isso pode influenciar na sua escolha de habitat - e, com os insetos sendo polinizadores importantes que garantem a reprodução das plantas, compreender suas escolhas é primordial.



Estudo desvenda como veneno de vespa brasileira mata célula de câncer

Toxina leva à formação de 'buracos' na membrana de células cancerígenas. Mecanismo pode levar ao desenvolvimento de novas drogas contra câncer.


Vespa Polybia paulista tem veneno que contém toxina anticancerígena (Foto: Mario Palma/Unesp)

A ciência já conhecia as propriedades anticancerígenas do veneno da vespa brasileira Polybia paulista, que se mostrou eficaz em coibir a proliferação de células de câncer de próstata e bexiga, bem como de leucemia. O que não se sabia era como a toxina presente no veneno conseguia atacar seletivamente determinadas células de câncer, deixando intactas as células normais.

Uma pesquisa desenvolvida a partir de uma parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de Leeds, no Reino Unido, descobriu o mecanismo de ação da toxina, abrindo o caminho para o desenvolvimento de uma nova classe de drogas para tratamento de câncer. Os resultados foram publicados na revista científica “Biophysical Journal” nesta terça-feira (1º).
Nas células cancerígenas, existem dois tipos de lipídios que ficam do lado de fora da membrana das células. Em células normais, esses lipídios ficam localizados do lado de dentro da membrana. O que a toxina MP1 faz é interagir com esses lipídios que por acaso só estão "acessíveis" nas células cancerígenas.
O resultado dessa interação é a formação de “buracos” na membrana da célula cancerígena, mecanismo que acaba levando à morte das células.
“Uma terapia de câncer que ataque a composição lipídica da membrana da célula seria uma classe completamente nova de drogas anticancerígenas”, disse um dos autores do estudo, Paul Beales, da Universidade de Leeds. “Isso poderia ser útil no desenvolvimento de novas combinações de terapias, onde múltiplas drogas são usadas simultaneamente para tratar câncer ao atacar diferentes partes das células de câncer simultaneamente.”
Os pesquisadores puderam testar esse mecanismo de ação em modelos de membranas criadas em laboratório, que continham esses tipos de lipídio. A exposição dessa membrana à ação da toxina MP1, do veneno da vespa, revelou à formação de poros que, em uma célula de verdade, levaria à sua morte.
Segundo os autores, a toxina tem o potencial para ser um tratamento seguro contra câncer, mas mais pesquisas são necessárias para desenvolver um medicamento.
Fonte: G1


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Estudo diz que mudanças climáticas ameaçam borboletas britânicas

Extinção de espécies sensíveis à seca poderia ocorrer antes de 2050. Borboletas podem indicar efeitos em outros insetos.

Borboleta da espécie Aphantopus hyperantus, uma das espécies ameaçadas na Grã-Bretanha
(Foto: Jim Asher)

Esforços para conter as mudanças climáticas juntamente com medidas adotadas localmente no interior da Grã-Bretanha são as únicas possibilidades que podem salvar certas espécies de borboletas que, caso contrário, desaparecerão nas próximas décadas, afirma um estudo publicado na  revista "Nature Climate Change" nesta segunda-feira (10).

Segundo o artigo,  "a extinção das borboletas sensíveis à seca poderia ocorrer antes de 2050". Se a emissão de gases do efeito estufa continuar da forma atual, as chances de que certas espécies nativas das ilhas britânicas sobrevivam são "em torno de zero", conclui o estudo.

Proteger áreas selvagens e principalmente evitar a fragmentação de seus hábitats naturais dará às borboletas a possibilidade de sobreviver.

Essas medidas, combinadas com a limitação de 2º C do aquecimento do planeta, aumentará as probabilidades de sobrevivência a 50%, disseram os pesquisadores.

A meta de dois graus em relação à temperatura na era pré-industrial foi adotado pelos 195 membros da ONU que vão negociar no fim do ano, em Paris, um novo pacto global para salvar o planeta.

Em nenhum lugar do mundo as borboletas foram tão estudadas como na Grã-Bretanha pelo último século.

Conhecida como borboleta malhadinha, a espécie Pararge aegeria também corre risco de extinção
(Foto: Jim Asher/Nature Climate Change)


Um grupo de cientistas liderado por Tom Oliver, do Centro de Ecologia e Hidrologia de Oxfordshire, examinou dados coletados em 129 lugares para observar como 28 espécies respondiam às severas secas de 1995.

Os pesquisadores suspeitam que secas ocasionais e isoladas foram tão devastadoras para algumas espécies quanto o aumento gradual na temperatura global.

Enquanto a seca de 1995 foi a pior já registrada, episódios semelhantes se tornarão mais frequentes na medida em que avançam as mudanças climáticas.

Mais de um quinto das espécies, segundo o estudo, perdeu grande parte da população durante o período. Foi descoberta uma ligação direta entre a paisagem e resiliência: quando mais fragmentado o habitat, mais tempo demoram as espécies a se recuperar.

"Os conservacionistas reconhecem cada vez mais a importância de reduzir a fragmentação dos hábitats naturais em vez de se contentar com administrar 'ilhas' protegidas em meio a ambientes hostis de intensa agricultura", disse Oliver à AFP.

Valor na biodiversidade

As borboletas de outros países com alto grau de industrialização agrícola que também sofrem com as mudanças climáticas podem estar igualmente em perigo. Em áreas "que são mais quentes e secas, o impacto pode ser muito mais severo", explicou.

As conclusões do estudo vão além da beleza das borboletas e seu valor em termos de biodiversidade. São muitas vezes utilizadas como um indicador do destino dos outros tipos de insetos.

Se as secas agravadas pelas mudanças climáticas tiverem um impacto similar em espécies como abelhas, libélulas e besouros, constatou Oliver, uma parte importante da nossa biodiversidade poderia ser ameaçada.

"Muitas dessas espécies oferecem funções essenciais para a vida humana, como a polinização, eliminação de pragas e decomposição de resíduos", prosseguiu.


Borboleta da espécie Ochlodes sylvanus (Foto: Tim Melling/Nature Climate Change)

Fonte: AFP / G1

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Empresa espanhola fabrica camiseta que repele mosquitos

Tecido contém substância que repele mosquitos e outros insetos. Segundo empresa, efeito repelente aguenta até 100 lavagens.

Empresa fabrica camiseta com tecido capaz de repelir insetos (Foto: Reprodução/Facebook/STINGbye)

Uma empresa têxtil espanhola desenvolveu uma camiseta que evita picadas de mosquitos e de outros bichos como ácaros, carrapatos, piolhos e percevejos.

A firma STINGBye, estabelecida na Catalunha, dedicou 4 anos a realizar estudos em laboratórios internacionais, como o Instituto Tropical do Brasil, e em junho começou a comercializar o produto em 80 farmácias de toda Espanha.

A camiseta contém permetrina, um repelente que, acrescentado ao acabamento da peça de roupa, aguenta até 100 lavagens e tem uma eficácia de 94%. O produto recebeu o certificado de qualidade da Sanitized, a empresa suíça líder mundial em proteção higiênica e antimicrobiana.

"O repelente não gera nenhum tipo de cheiro e a peça de roupa tem um tato suave para crianças e adultos e serve contra todos os tipos de insetos", explicou à Agência EFE Silvia Oviedo, sócia da companhia.

A camiseta poderia ser útil em países tropicais com doenças mortais transmitidas por insetos, como a dengue, e de fato a empresa planejará a exportação do produto a partir de setembro, embora "tudo dependerá da decisão do governo de cada país", assegura Oviedo.

Fonte: EFE / Bem Estar

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Formigas de zoo alemão carregam folhas com mensagem pró-Amazônia

Em campanha, ONG WWF cortou slogans em folhas usando laser. Ação ocorre às vésperas de encontro entre Angela Merkel e Dilma Rousseff.

Formigas cortadeiras carregam uma folha cortada a laser com a frase '!Pro Amazonas!' no zoológico em Colônia, na Alemanha. As mensagens para proteger a floresta amazônica fazem parte de uma campanha do Fundo Mundial para a Natureza Selvagem (WWF) (Foto: Ina Fassbender/Reuters)

Em uma ação da ONG Fundo Mundial para a Natureza (WWF), formigas do Zoológico de Colônia, na Alemanha, carregaram folhas com mensagens pedindo a proteção da floresta amazônica. Slogans como "Floresta = Futuro", "Socorro" ou "Pró-Amazônia" foram cortados nas folhas com laser por membros da organização.

A campanha foi lançada pouco antes do encontro entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e a presidente Dilma Rousseff, marcado para quinta-feira (20) em Brasília. Merkel virá ao Brasil acompanhada de 10 ministros.

Entre os assuntos que devem ser discutidos pelas líderes está a questão das mudanças climáticas. A ONG defende que o encontro sirva para que o governo alemão renove os compromissos conjuntos com o Brasil quanto à preservação da Amazônia.

 'Floresta = Futuro' diz slogam cortado em folha carregada pelas formigas do Zoológico de Colônia, na Alemanha (Foto: Reuters/Ina Fassbender)

'Merkel, ajude': formigas carregam folhas com mensagens pró-Amazônia (Foto: Reuters/Ina Fassbender)

Fonte: G1

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Britânica transfoma lixo eletrônico em lindos insetos



A artista britânica Julie Alice Chappell é especialista em transformar materiais que iriam para o lixo em belas obras de arte. As criações são feitas com resíduos de lixo eletrônico, que dão vida a uma coleção de diversos insetos coloridos.

Em declaração ao site My Modern Met, Julie explicou como funciona a sua arte: “Minha prática artística envolve quebrar os materiais pré-existentes, reinterpretando-os e oferecendo-lhes uma nova forma com novo propósito, criando algo bonito, diferente e precioso”.

A ideia surgiu há alguns anos, quando a britânica se deparou com uma grande caixa de pequenos componentes eletrônicos descartados, entregues em um centro de coleta de materiais indesejáveis. A instituição costuma receber os itens de empresas e encaminhá-los a escolas, centros comunitários e artistas.

“A primeira coisa que veio na minha cabeça enquanto eu olhava para eles era ‘uma massa de corpos minúsculos e pernas: formigas’. Levei-os para casa e junto com meus filhos nós os transformamos nesses pequenos”, explicou. Esta foi a primeira experiência. Algum tempo depois ela se deparou novamente com uma caixa semelhante, que aguçou ainda mais a sua criatividade.

Ao receber esta segunda leva, Julie estava matriculada em um curso de artes e decidiu trabalhar os resíduos em um projeto que misturava arte e meio ambiente. Em uma oficina ela viu outros artistas usarem as placas eletrônicas para criarem robôs, os mesmos materiais foram aproveitados por ela para criar suas próprias esculturas, assim nasceu a série “Insetos – Componentes de Computador”.



Fonte: Am 730My Modern Me

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Conheça os primeiros Robôs-Insetos do mundo




Desenvolvidos pela Festo, uma empresa alemã de tecnologia robótica, as BionicANTs, enxergam, movem-se e andam em grupos como formigas reais.

A Festo desenvolveu um sistema de “comportamento cooperativo” para as BionicANTs, e isso permite que elas se comuniquem umas com as outras, promovendo um trabalho em equipe.

As BionicANTs são programadas para imitar a inteligência de seus homólogos do mundo real, incluindo a sua capacidade de cooperar e realizar tarefas de alta complexidade, como mover objetos maiores que os próprios mini-robôs.

As BionicANTs estão equipadas com componentes a laser sinterizado, tecnologia piezo, sensores infravermelhos e câmeras 3D.

Um sensor de movimento óptico e câmera 3D dá as BionicANTs a capacidade de sentir e controlar seu ambiente.

As baterias LiPo duram cerca de 40 minutos com uma carga completa e as antenas robôs são usadas ​​como a central de recarga.

O enxame usa uma rede sem fio para se comunicar, efetivamente criando uma mini usina de produção.

Usando uma série de algoritmos complexos, a Festo é a pioneira na criação de nano robôs inteligentes que poderiam ajudar a pavimentar o caminho para as fábricas do futuro numa corrida desenfreada por uma força de trabalho totalmente autónoma.

Fonte: Enkinova

VEJA O VÍDEO!

sábado, 1 de agosto de 2015

Cientistas desvendam segredo das formigas para carregar alimentos 'gigantes'

Pesquisa israelense sugere que animais trabalham em grupo mas respondem a formigas 'guias', em um equilíbrio 'perfeito' entre individualidade e conformismo.

Para cientistas, as formigas parecem ter a quantidade exata de 'individualismo errático' para funcionarem em grupo (Foto: Ehud Fonio, Ofer Feinerman/ BBC)

Muitas formigas precisam trabalhar juntas para mover grandes itens.

Cientistas de Israel descobriram como formigas cooperam para carregar grandes pedaços de comida aos formigueiros.

Um grande grupo de formigas fica encarregado de levantar o peso - mas essas formigas não têm direção.

 Por isso, um pequeno grupo de "guias" intervém e conduz o grupo por curtos períodos.

Aparentemente, as formigas têm um equilíbrio matematicamente perfeito entre individualidade e conformismo, segundos os pesquisadores.

A descoberta foi feita por meio da análise de vídeos de formigas carregando pedaços de alimento de grande dimensão, entre eles flocos de cereais matinais.


Publicado na revista científica Nature Communications, o estudo usou uma espécie muito comum do animal conhecida como "formiga louca".

O nome faz referência ao jeito como essas pequenas criaturas correm, frequentemente mudando de direção de forma aleatória.

Mas as novas descobertas indicam que o nível de aleatoriedade no comportamento dessas formigas é muito bem afinado.

'Guias'
"O grupo é afinado para responder às formigas líderes", disse o autor sênior do estudo, Ofer Feinerman, um físico do Weizmann Institute of Science, em Rehovot.

Ele disse que as formigas parecem ter a quantidade exata de "individualismo errático". Em cerca de 90% do tempo, elas "seguem o fluxo", se movimentando na mesma direção que todos os outros; nos outros 10% dos casos o comportamento delas honra o nome.

Isso significa que, ao todo, cada equipe de transporte das formigas trabalha junto e evita um cabo de guerra desnecessário. Mas, crucialmente, seu temperamento errático permite um grau de instabilidade - e isso, por sua vez, permite que uma única formiga com novas informações chegue e mude a direção.

"Essa líder que chega não precisa se apresentar e nem precisa ser mais forte que o resto - ela só precisa empurrar na direção correta", disse Feinerman à BBC News.

"A única comunicação no sistema é a força que eles captam através do objeto (que carregam) ."

Então, enquanto o número de formigas na equipe determina a velocidade com que o item será transportado, a navegação é feita por esses "guias".

'Roubando ração de gato'
Para testar seu modelo, Feinerman e seus colegas colocaram as formigas em algumas situações extremas - dando a elas objetos bem maiores do que os que elas costumam transportar.

"A previsão que o modelo nos deu é que podemos brincar com essa mistura de conformismo e não conformismo", disse. "Se você move algo enorme, você precisa de bem mais formigas. E aí a força que cada formiga sente através do objeto é muito maior. Então todas as formigas sentem um necessidade maior de agir como conformistas."

Quando as formigas foram apresentadas a discos de silicone de 8 cm ou até mesmo 16 cm, elas perderam o temperamento errático e todas empurraram na mesma direção. Os discos de moveram em linha reta - mas fazer a navegação por obstáculos se tornou impossível."

O sistema delas funciona melhor, explica Feinerman, para objetos de tamanho médio (para uma formiga) de cerca de 1cm, ou "o que eles conseguem passar pela entrada do formigueiro".

Então, os cereais usados na experiência funcionaram com perfeição. E, estranhamente, a ração de gato também - e foi exatamente assim que o projeto começou.

"[Um dos meus colegas] se mudou para um novo apartamento na mesma época que entrou no laboratório, e havia formigas em seu apartamento. Ele viu ração de gato se movendo - elas estavam roubando a comida."

"Ele chegou com um vídeo disso no dia seguinte. Assistimos a isso e percebemos que era muito interessante... Estamos trabalhando nisso há quatro anos agora."

Fonte: BBC / G1

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Europa aprova primeira vacina contra malária

Agência Europeia de Medicamentos aprovou imunização inédita.
Vacina não será distribuída até que obtenha autorização da OMS.

Parasitas da malária são vistos entre hemácias do sangue (Foto: CDC/Mae Melvin)

Pela primeira vez, uma vacina contra a malária, de eficácia limitada, recebeu o aval das autoridades europeias, abrindo novas perspectivas para a luta contra esta doença, especialmente letal na África.

Chamada Mosquirix ou RTSS, a vacina desenvolvida pela farmacêutica GSK é destinada às crianças e recebeu uma "opinião científica positiva" da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). A imunização, porém, não será distribuída até que obtenha a autorização da Organização Mundial da Saúde (OMS) em novembro.

A malária é uma doença infecciosa transmitida pela fêmea do mosquito Anopheles infectada pelo Plasmodium. Os principais sintomas são febre alta, calafrios, tremores, suor e dor de cabeça. Atualmente, não existem vacinas disponíveis. O tratamento é simples e eficaz, mas, se a doença não for tratada, ela pode matar.

O parasita letal desenvolveu resistência aos tratamentos sucessivos e os mosquiteiros encharcados com inseticida continuam sendo o método mais eficaz para se proteger da malária.

A EMA aprovou a qualidade, segurança e eficácia da droga, assim como sua relação entre benefício e risco.

A OMS deverá inicialmente fazer recomendações sobre sua utilização em programas de vacinação, e depois as regulamentações nacionais poderão decidir se aprovam ou não o que poderia tornar-se a primeira vacina contra uma doença parasitária.

Exemplar de 'Anopheles stephensi', vetor indiano da malária (Foto: Divulgação/Csiro)

Mosquirix é a vacina contra a malária mais avançada do ponto de vista clínico contra esta doença que mata cerca de 600 mil pessoas por ano. Mais de 75% dos pacientes são crianças menores de cinco anos, segundo a OMS.

Apenas na África subsaariana, a doença transmitida pelo mosquito mara em média cerca de 1.200 crianças por dia, mais que a quantidade da pessoas que morrem por causa dela ao longo de um ano na América Latina e no Caribe.

Útil na África
Desenvolvida pela GlaxoSmithKline (GSK) com o apoio da ONG PATH Malaria Vaccine Initiative e financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates, a Mosquirix foi a primeira vacina contra a malária a chegar na fase III de testes clínicos, o estágio final antes do lançamento para o mercado.

Ela destina-se a proteger as crianças com idade entre seis semanas e 17 meses de idade.

Em abril passado, os resultados de anos de testes em 15 mil crianças em sete países africanos foram publicados na revista médica britânica The Lancet, apontando um resultado não muito bem sucedido.

'Benefícios superam os riscos'
De acordo com os resultados, a droga oferece uma proteção parcial pequena que some com o tempo, mas de qualquer maneira pode prevenir milhões de casos.

A comissão da EMA concluiu que apesar da sua eficácia limitada, "os benefícios da Mosquirix superam os riscos".

"Embora não seja, sozinha, uma resposta completa à malária, sua utilização com mosquiteiros e inseticidas será uma contribuição significativa para o controle do impacto da malária em crianças para os países africanos que mais precisam", afirmou o laboratório GSK em comunicado.

A gigante farmacêutica aceitou administrar o remédio a "um preço sem fins lucrativos".

Os testes demonstraram que as crianças de entre cinco e 17 meses receberam uma proteção de 50% contra a malária no primeiro ano, embora caia para 28% ao final de quatro anos. Um reforço da vacina aplicado 18 meses depois aumenta esta proteção em 36% no quarto ano.

Fonte: G1 Bem Estar


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cientistas desvendam estratégia de mosquitos para picar humanos

Insetos têm táticas baseadas em três fatores: cheiro, visual e calor corporal; para pesquisador, é difícil escapar de estratagemas.


Uma nova pesquisa de cientistas dos Estados Unidos sugere que mosquitos escolhem as vítimas de suas picadas a partir de três fatores: cheiro, visão e, por último, calor.

Biólogos gravaram os movimentos feitos por mosquitos famintos dentro de um túnel de vento.

Os insetos foram atraídos instantaneamente para uma coluna de CO2, muito parecida com o hálito humano; depois de cheirar este gás, eles também foram se abrigar em um ponto escuro.

Finalmente, em distância bem menores, os mosquitos também foram atraídos pelo calor.

As descobertas, publicadas na revista especializada Current Biology, se basearam em provas geradas por pesquisas anteriores, de que o cheiro é um fator essencial para que os mosquitos escolham a próxima refeição.

O odor corporal, por exemplo, pode ter um papel muito importante na forma como os mosquitos escolhem uma pessoa para picar e descartam outra.

Mosquitos são bons para farejar CO2, que está em altas concentrações no hálito de animais de cujo sangue eles se alimentam, como humanos.

Também já se sabia que calor e visão podem ser importantes para atrair estes insetos, mas este novo estudo é o primeiro a determinar o papel diferente de todos estes três fatores.

"Conseguimos formar uma teoria de como todos estes sentidos trabalham juntos no mosquito, para que ele encontre um humano", afirmou o autor da pesquisa, Floris van Bruegel, do Insituto de Tecnologia da Califórnia.

Estímulos separados

A chave para estas experiências era separar os estímulos diferentes: cheiro, visão e calor. Os cientistas colocaram a coluna de CO2, um ponto preto no chão do túnel de vento e uma placa de vidro aquecida que estava invisível.

"Conseguimos ver como os mosquitos reagem a cada um destes três estímulos interagindo", disse Van Bruegel à BBC.

Por exemplo, se os insetos viam um ponto negro em um túnel de vento que antes estava vazio, eles não se aproximavam. Mas se a coluna de CO2 também estivesse no local, eles iriam farejá-la e então partir para o estímulo visual.

"Eles apenas prestam atenção aos elementos visuais depois de detectar um odor que indica a presença de um hospedeiro próximo", disse Michael Dickinson, outro autor do estudo.
"Isto ajuda a garantir que eles não percam tempo investigando alvos falsos como pedras e vegetação."
A equipe conseguiu compreender os três estágios da estratégia de caça dos mosquitos:

1 - De distâncias entre dez e 50 metros, eles usam o odor, particularmente, o CO2.
2 - Se já estiverem excitados por causa do cheiro, eles vão procurar algo que seja visualmente interessante, em uma distância que varia entre cinco e 15 metros.
3 - Uma vez que eles estão a um metro de distância de um possível alvo, eles se concentram no calor corporal.

'Difícil escapar'

Floris van Bruegel afirmou que, do ponto de vista dos humanos, esta abordagem em três estágios é "forte de uma forma irritante".

"A conclusão, infelizmente, é que é muito difícil escapar dos mosquitos."

"Se você conseguisse capturar todo o CO2 que você estivesse exalando, então seria menos provável que o mosquito o encontrasse. Mas, se você está em um grupo de pessoas e outra pessoa não está tomando estas precauções, então um mosquito poderia seguir o CO2 dela. E pode acabar encontrando você antes de encontrar seu amigo."

"Então, você iria querer uma camuflagem visual (também). Quanto mais você interromper estas pistas visuais, menor a possibilidade de eles te encontrarem e picarem você", acrescentou.

A melhor estratégia pode ser criar uma distração para o mosquito, disse o cientista.

"Você pode convencer seu amigo a usar uma camisa contrastante", brincou.

Fonte: BBC

sábado, 11 de julho de 2015

Aquecimento global está matando abelhas pelo mundo, sugere estudo

É a 1ª pesquisa que relaciona fenômeno ao declínio global de abelhas. Até agora, havia suspeita de que pesticidas e parasitas causavam perdas.


Aumento de casos se dá por conta da estiagem, queimadas e desamatamento (Foto: Divulgação/Secom Campos)

As abelhas não estão se adaptando bem às mudanças climáticas.

Em vez de migrarem para o norte para buscarem temperaturas mais clementes, estes insetos cruciais para a polinização estão morrendo, de acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira (9).

A pesquisa publicada na revista "Science" é o primeiro estudo que explica a responsabilidade da mudança climática para o declínio das populações de abelhas e mamangabas a nível mundial. Até agora, os principais suspeitos desta diminuição eram a utilização de pesticidas, doenças e parasitas.

"Imagine um parafuso. Agora imagine que o habitat das abelhas é no centro do parafuso", disse o principal autor do estudo, Jeremy Kerr, professor de macroecologia e conservação na Universidade de Ottawa. "Conforme o clima esquenta, as espécies de abelhas e mamangabas são esmagadas por este 'parafuso climático' que comprime as zonas geográficas onde o inseto consegue viver", explicou.

"O resultado é o declínio rápido e generalizado dos polinizadores em todos os continentes, que não é devido ao uso de pesticidas ou à perda de habitat", acrescentou.

Registros pelo mundo

Para a investigação, os pesquisadores analisaram quase meio milhão de registros - anotados por museus e cientistas voluntários - de 67 espécies de abelhas e mamangabas na América do Norte e Europa desde o início dos anos 1900.

"O território abrangido pelas abelhas no sul da Europa e da América do Norte caiu cerca de 300 quilômetros. O escopo e o ritmo destas perdas são sem precedentes", disse Kerr.

Esses insetos "geralmente não conseguem" migrar para o norte. Ao contrário das borboletas, que se mudam mas não desaparecerem, acrescentou o estudo.

As abelhas são muito importantes para a agricultura e para a vida silvestre porque polinizam plantas, flores e frutos.

Caso as emissões de efeito estufa não sejam reduzidas, a redução da polinização poderia fazer que algumas plantas, frutos ou legumes se tornem mais escassos e mais caros, alertou o estudo.

Fonte: G1

sexta-feira, 10 de julho de 2015

As formigas operárias são 'preguiçosas', de acordo com cientistas

Você 'trabalha como uma formiguinha'? Talvez não seja bem isso que você quer dizer para o chefe.

AQUI DEBOAS NA PEDRA, CURTINDO UMA PREGUIÇA (FOTO: MACROSCOPIC SOLUTIONS / FLICKR/ CREATIVE COMMONS)

Não sei você, mas quando eu penso em formigas já lembro daqueles desenhos animados que as mostram saqueando um piquenique, com aquela música de cavalaria ao fundo. Ou em "Vida de Inseto", com as pobres formiguinhas trabalhando sem parar para alimentar aqueles gafanhotos insuportáveis. Mas a vida real é muito diferente, de acordo com uma nova pesquisa? Por que?

Porque as formigas operárias são bastante preguiçosas.

Explicamos: cientistas da Universidade do Arizona filmaram colônias de Temnothorax rugatulus, uma espécie bem comum de formiga que vive no Canadá e nos EUA. Depois eles analisaram as filmagens e categorizaram a atividade das bichinhas.

Eles ficaram surpresos ao ver que metade das formigas operárias ficava inativa durante o dia. Enquanto algumas formigas estavam construindo o formigueiro, as outras formigas específicas ficavam na preguiça. 

Por que?

Os pesquisadores ainda não sabem com certeza, mas hipóteses incluem: idade (as preguiçosas seriam mais velhas) ou metabolismos mais lentos. Também há a sugestão de que elas podem estar vigiando a colônia, preparadas caso alguma ameaça surgisse.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Experiências sugerem que insetos têm sentimentos

As emoções não estão limitadas aos seres humanos - longe disso

SIM, INSETOS TÊM EMOÇÃO! (FOTO: MARK SETON / FLICKR/ CREATIVE COMMONS)

Pra quem tem um bichinho de estimação é fácil acreditar que os animais têm sentimentos, mas foi só 2012 que os cientistas concordaram que os animais são seres conscientes. Foi descoberto e comprovado, por exemplo, que os cães são extremamente complexos, e sentem emoções humanas, como a inveja. Mas o que dizer de insetos?

O que é emoção?
Antes de tudo, vamos falar do conceito de emoção. A definição universal para a “emoção”, que é igualmente aplicável em todas as áreas acadêmicas (da neurociência à psicologia à filosofia), tem sido quase impossível de alcançar. Joseph LeDoux, neurocientista, já sugeriu apagar a palavra "emoção" do vocabulário científico.

Embora haja centenas de significados diferentes para a emoção, a definição mais universal que poderíamos encontrar é originária de um artigo chamado “emoção, cognição e comportamento”: "(...) as emoções incluem (mas não estão limitados a) certos comportamentos expressivos que estão associados com estados cerebrais internas que nós, como seres humanos, subjetivamente experimentamos como 'sentimentos'". Muito vago! E ainda limita emoções a seres humanos.

Basicamente, as emoções são detectadas pelos nossos cérebros, por meio de mapas neurais do corpo, e transmitidas para nosso organismo em forma de sentimentos. Isso vale para as emoções primordiais como o desejo sexual, bem como as emoções mais complexas e sociais, como constrangimento.

Experiência com abelhas
Um exemplo fantástico de comportamento emotivo de insetos surgiu de uma experiência com abelhas.

Emoções influenciam nossas percepções e comportamento. Imagine que sua casa foi saqueada por assaltantes e você está em choque e com muita raiva. Você está tão triste que nada te anima, nem seus amigos. Na verdade, nem sua comida favorita parece tão gostosa  assim.

Isso é exatamente o que acontece com as abelhas. As abelhas foram colocadas perto de uma lâmina de ventilador em movimento durante um minuto para simular um ataque de texugo à colmeia e deixar as abelhas com raiva. Depois, foram jogados produtos químicos a fim de acalmá-las, mas a técnica não deu muito certo.

As abelhas que ficaram abaladas com a “invasão” não reagiam aos químicos que simulavam um cheiro apetitoso. Além disso, houve mudanças emocionais relevantes nos níveis de neurotransmissores nas abelhas abaladas e alteração dos níveis de serotonina e dopamina. Isso pode explicar porque mexer em uma colmeia não é uma ideia tão boa assim: isso deixa as abelhas furiosas! E raiva é uma emoção.

ABELHAS (FOTO: ANDY MURRAY / FLICKR / CREATIVE COMMONS)

Experiência com moscas
Uma experiência semelhante foi realizada com moscas famintas. Desta vez, os pesquisadores tentaram induzir medo primitivo, lançando uma sombra sobre as moscas a fim de simular a presença de um predador aéreo - bem como os seres humanos sentem medo ao ouvir um tiro.

Quando o falso predador foi introduzido e, em seguida, removido, os níveis de ansiedade aumentaram potencialmente nas moscas famintas, que ignoravam completamente seus alimentos. Isso sugere que um estado de emoção afeta o comportamento.

Insetos sentem empatia?
Em um experimento recente com tatus-bola, cientistas mostraram a capacidade de empatia com o semelhante. Os pesquisadores demonstraram um tatu-bola calmo acabava influenciando seus companheiros, os deixando mais calmos e animados.

Mas isso pode ser apenas uma imitação de comportamento, em oposição a um processo de correspondência e reconhecimento emocional. Quando um cachorro late - algo que interpretamos como uma forma de desconforto -, ele faz com que outros cães façam o mesmo. Outro estudo comprovou que esse comportamento dos animais é muito mais próximo de algo como imitação comportamental do que com empatia.

Mas afinal, os insetos têm emoções?
Não se pode afirmar com certeza. Ainda tem muito o que ser estudado, embora essas primeiras experiências certamente definam as bases para um futuro onde nós reconheceremos que todos os animais têm emoções em algum grau. Em 1872, Charles Darwin, pai da teoria da seleção natural e da evolução, já afirmava: "mesmo os insetos expressam raiva, terror, ciúme e amor”.

Fonte: Quartz / Revista Galileu

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Cientistas criam baratas ciborgues guiadas por controle remoto

Uma equipe formada por engenheiros e entomólogos da Universidade Texas A&M tenta acoplar pequenos dispositivos eletrônicos a baratas gigantes da América Central.

O objetivo é que os insetos possam ser guiados com um controle remoto para acessar áreas de difícil acesso após desastres naturais.

Os pesquisadores foram inspirados pelo acidente nuclear provocado por um terremoto seguido de um tsunami em Fukushima, no Japão, em 2011.

Na ocasião, vistorias nas instalações nucleares afetadas não podiam ser feitas por humanos. De acordo com eles, os animais não sentem dor e participam do experimento uma única vez.

Cientistas criam baratas ciborgues guiadas por controle remoto

Fonte: BBC BRASIL